Ao olhar para o povo da cidade e do sertão via diante de mim o povo que Jesus via e pelo qual ele exclamava: “sinto, pena, sinto compaixão, são como ovelhas sem pastor”. Quando Jesus dizia isso o povo na realidade tinha para si e sobre si um imperador (Cesar Augusto), um rei (Herodes), uns chefes, um sumo sacerdote, um representante do Imperador cujo nome era Pôncio Pilatos. Não tinha um pastor, um pai, uma mãe, como outrora nos escritos era um povo órfão.
Vinte e três anos atrás o que era Quixadá e o sertão? Quem pensava realmente no povo, no seu bem, nas suas necessidades? Repito: parecia-me um povo sem pastor, sem um pai, sem uma mãe. A experiência da vida tinha-me convencido que para os pobres e marginalizados somente Deus e Nossa Senhora tinham sempre ficado com eles sustentando-os na fé e enxugando as suas lágrimas e amando-os em proporção às suas dores e sofrimentos.
Em todas as cidades e em todos os distritos da diocese de Quixadá havia um templo pelo qual o povo podia olhar, chorar e pedir ajuda e conforto. As Igrejas falavam ao povo que Deus estava com eles e que Jesus escondido no tabernáculo não os tinha abandonado. Era o Emanuel “Deus conosco”. Parecia-me que faltasse algo que falasse da mãe de Jesus e da nossa mãe. Um Santuário de Maria teria sido “Maria conosco”, isto é, “a mãe conosco”.
Para tantas misérias e lágrimas a mãe devia ser cheia de ternura e ser grande e poderosa. O povo do sertão com os olhos ou a imaginação tinha que poder ver a casa da sua Mãe e Rainha. Eu vi uma casa grande sobre o monólito mais alto e Ela olhando com os olhos de ternura para o seu povo e cobrindo-o com o seu manto. A Palavra de Deus dava-me a certeza que isso não era uma imaginação ou um ícone do misticismo religioso. Eu acreditava e acredito firmemente que ele foi construído por Jesus e por Maria, mãe do povo cristão e minha mãe.
O sertanejo intui e diz à sua amada: você é a minha rainha. Esperava que um dia todos dissessem a Maria: Ó minha mãe e minha rainha, não estou só, mas com você!