O Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão ergue-se sobre uma esplanada encostado ao Morro Urucum. A base da torre triangular fica exatamente a 501 metros e 12 centímetros acima do nível do mar. Foi inaugurado no dia 11 de fevereiro de 1995.
Durante a festa de Nossa Senhora do Carmo, eu Dom Adélio Tomasin, estava celebrando na Catedral; depois da comunhão não sei explicar como nem porque, veio-me a mente a seguinte frase: “Por que tu não pensaste em construir uma casa para minha Mãe?” E vi o Santuário entre os monólitos, um lugar que dominava o sertão. Contei ao povo de Deus em voz alta e clara, embora com muita timidez, a pequena história que havia vivido, sentado na minha cadeira e com Jesus no coração. Agora, era eu que esperava a reação do povo. Fiquei surpreso. Todos se levantaram e reagiram àquela história com uma estrondosa e demorada salva de palmas. Assim brotou a idéia do Santuário.
Não me recordo se foi no mesmo dia ou no dia seguinte, fui até a frente da Catedral e de lá pela primeira vez notei a beleza selvagem do Monte Urucum. Situava-se entre a Serra Branca e a Serra Preta. Era o mais alto morro e, além disso, parecia ter na frente uma espécie de platô, onde provavelmente poderia ser possível construir o Santuário.
Depois de uns dias eu quis ver o que realmente havia lá em cima. Logo cedo, cheguei ao pé da Serra do Urucu e me meti entre a capoeira e o mato. Não adianta descrever a “escalada”, voltei para casa todo arranhado e sujo, mas muito feliz. Lá em cima não havia na realidade uma superfície larga e plana, mas poderia ser aplainada.
Quando refleti sobre o fato, procurei compreender porque Deus queria uma casa para Nossa Senhora. Podia ser isto:
Enfim, esperava que acontecesse o que de fato aconteceu em todos os santuários marianos: muitos homens e mulheres que vivem longe de Deus, encontram no Santuário e no abraço da Mãe, o caminho da conversão que leva a Deus e transforma suas vidas.
Foi no dia 12 de outubro de 1993 abençoada e colocada a primeira pedra do Santuário. Tudo foi simples, tudo foi emocionante. As nuvens, o vôo das aves, o deslumbrante pôr do sol, os monólitos ao redor formavam um cenário inesquecível.
Mas quem participou, sente ainda algo no coração, pois os sentimentos mais profundos não eram provocados por essas coisas bonitas, mas pela fé e o amor a Mãe de Deus. Havia um detalhe que também nos comovia. Tinha iniciado as escavações dos alicerces sem ter praticamente dinheiro. Quando uma jovem da minha terra, ao saber que queria construir um Santuário a Nossa Senhora, mandou-me parte da herança recebida de seu pai e esse dinheiro deu para fazer todos os alicerces.
Quem constrói um santuário sabe que isso não serve para nada se não há alguém que o torne uma estrutura viva. Quem seria esse alguém? Tinha perguntado a mim mesmo uma centena ou mais de vezes, mas não achava uma resposta. Porém, acreditava cegamente que Deus teria providenciado.
No dia 13 de maio de 1993 Pe. Gianni, fundador e responsável pela família de consagrados denominada “Comunidade Mariana Oásis da Paz”, chegou a Quixadá acompanhado pela Vigária Madre Fabrícia para conhecer a diocese e avaliar a possibilidade de atender o meu pedido. Parecia-me tudo um sonho, porque estas coisas não se resolvem normalmente em semanas, mas em anos.
De fato, pouco depois veio a confirmação da vinda da comunidade para Quixadá. No dia 8 de janeiro de 1994, sete membros da Comunidade Mariana Oásis da Paz se instalaram provisoriamente nos anexos do Instituto de Teologia e Catequese da Diocese.
Quem chega numa igreja ou num santuário olha, observa e consciente ou inconscientemente pergunta-se “Por que isso? Por que aquilo?”. As idéias inspiradoras foram quatro: cuidar do ambiente, da beleza, simbologia e fazer tudo com sobriedade.
Maria foi pobre; nós também somos pobres. Foram escolhidos por isso, materiais da terra e, tendo em conta durabilidade, fez-se tudo com a intenção de se ter algo bonito, mas singelo.
Nas paredes oblíquas do Santuário há vinte e sete painéis e acolherão as reproduções dos quadros ou imagens da Virgem Maria com o nome e o título como ela é venerada em cada país da América Latina. O sentido é este: fazer com que cada peregrino se sinta em comunhão com todos os irmãos da América Latina. Assim como a dor nos une na vida, também o amor da única Mãe faz de nós todos um só povo da esperança.
Na fachada do Santuário há também quatro painéis pintados pelos nossos jovens artistas Walker e Cícero. Eles representam o mistério da salvação: Criação, Pecado, Encarnação e Morte Redentora de Jesus. O romeiro que chega deve compreender logo que o Santuário só tem um sentido dentro deste mistério de salvação.
O vitrô é muito simples. O sol e os raios de vidro fumê e azul. O azul nos recorda o céu, o vidro fumê nos deixa ver as nuvens e os monólitos. O vitrô mistura o mistério do céu e as realidades futuras com as realidades presentes da terra.
A beleza de Maria foi a sua pureza, a sua humildade, por isso Maria é mãe e nos faz pensar em beleza simples e linhas recolhidas. Maria está perto dos filhos, por isso foram estudadas as dimensões de modo a sentir essa vizinhança.
A maioria dos monólitos que formam o grande anfiteatro onde está Quixadá têm formas de cubo, paralelepípedo, cilindro e pirâmide trabalhados pelas águas, ventos e misteriosas forças da matéria. Devia respeitar esse panorama maravilhoso de formas geométricas. Por isso:
A ábside e o presbitério formam um paralelepípedo baixo deitado. O batistério se eleva sobre o teto em forma cilíndrica. A capela do Sacrário é um paralelepípedo quadrado de 3,60 x 16 metros de altura. A torre em frente ao Santuário é uma pirâmide com a face frontal livre de estruturas e feita de feixe de canos riscados, solidamente unidos. Parece mãos juntas ou como uma tenda.
Maria leva no colo o Menino Jesus. Ela é Imaculada Mãe de Deus. Pareceu-me esta representação mais rica e significativa do que sozinha. Maria foi Imaculada e Virgem antes, durante e depois do parto. Maria foi Imaculada porque foi escolhida para ser a Mãe do Salvador. Todos devemos sempre recordar que Maria sem Jesus é simplesmente nada; o seu amor é Jesus, o seu poder é Jesus, aquele Menino é tudo. Dele nos vem o amor de Maria.
Foi preparado na forma de sarcófago por ser a mais apropriada para significar o Mistério Eucarístico que é de morte e ressurreição. O revestimento é de quartzo rosado da nossa terra de Itapiuna. A cor rosa é a cor da aurora. Jesus é a aurora da salvação. Essas pedrinhas pontiagudas, quase transparentes, nos recordam que somos duros e ásperos por sermos filhos da terra, mas preciosos por sermos filhos de Deus.
O Sacrário está dentro de uma torre em forma de paralelepípedo quadrangular. A torre parte do chão ultrapassando o teto, e quando as nuvens são baixas se perde no céu. A Eucaristia é a união misteriosa da verdadeira humanidade com a verdadeira divindade. Jesus na hipótese é a coluna entre o céu e a terra. A Eucaristia é o pilar que sustenta toda a vida cristã, aquela que une céu e terra , une a nossa humanidade à divindade.
Para compreender a simbologia da torre batismal precisaria conhecer bem o “Pastor de Hermas” do III ou IV século. O Pastor explica a Hermas que a torre que ele vê sendo construída com pedras escolhidas e trabalhadas é símbolo do Reino e da Igreja. As pedras são os eleitos, os discípulos de Cristo. A torre é a Igreja, é o Reino. O batismo transforma toda criatura em pedras vivas do Reino, da Igreja. A porta é Cristo. Jesus nos disse “Eu sou a porta”. Jesus é também representado pela palavra grega “IKTHUS” que quer dizer peixe. As letras desta palavra eram tomadas pelos cristãos como as iniciais desta profissão de fé: Jesus Cristo, de Deus, Filho Salvador. Abaixo do nome “IKTHUS” dourado, para significar a divindade, há numa tarrafa um peixe grande e uns pequenos. Uns escritores dos primeiros séculos diziam que o peixe grande indica Jesus e que nós somos, por causa do batismo, os pequenos peixinhos que seguem o grande peixe, Jesus. Na torre, quem entra se depara com o batismo de Jesus no Jordão, feito em relevo em tijolos vermelhos e brancos. As águas são brancas para significar que essa água purifica. No piso do batistério há três degraus para descer na água e sair dela. No Batismo morremos ao pecado, descer e receber a vida na fé, esperança e caridade.
Fora do Santuário há uma torre piramidal. É o símbolo mais característico. Construída em aço com forma de pirâmide, e não tendo a face frontal ocupada por nenhuma estrutura, pode ser imaginada como um grande manto protetor: o manto da Virgem Maria. Nas missas campais o altar será montado sob este manto. Essa estrutura oferecerá no seu sentido simbólico que do seio da virgem Maria nos veio o Salvador.
Na subida para o Santuário encontra-se os grupos estatuários representando as cenas tradicionais da Via Sacra. São quatorze estações. Todas elas foram projetadas e executadas por quem escreveu esta pequena história e por um jovem artista de grande potencial, Adalécio Feitosa Mariz. O material escolhido, para resistir ao relento, foi: estrutura interna de ferro revestido de cimento e areia.
Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Nela se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e tão misterioso dessa muito simples, muito humilde e muito bela manifestação do Filho de Deus. Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é Cristo. Aqui nesta escola compreende-se a necessidade de uma disciplina para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo de Cristo. (Paulo VI 05-01-1964)
A história deste crucifixo se inicia na Bélgica. Foi pedido ao escultor holandês Toon Grassns para fazer um estudo do livro de Caterina Emmerich e daquele de Pierre Barbaix – o notável cirurgião do hospital São José de Paris, que tinha demonstrado a autenticidade do Santo Sudário conservado em Torino nos anos de 1930-1940 – com a finalidade de aprofundar a paixão do Senhor. Foram fornecidos alguns critérios de fundo: o crucifixo deveria ser uma obra realística que pudesse constituir um convite à reflexão, a meditação e a conversão.
Padre David Peter, sacerdote da Comunidade Mariana Oásis da Paz. Natural da Alemanha, chegou no Brasil em 08 de Janeiro de 1994. Sua ordenação sacerdotal foi em 12 de dezembro de 2003, desde então exerce o seu ministério sacerdotal no Santuário Rainha do Sertão. Foi nomeado oficialmente Reitor deste mesmo Santuário em 06 de junho de 2010.